Por Carlos Golembiewski
O sistema eleitoral brasileiro precisa passar por uma reforma que atinja diretamente o horário eleitoral gratuito exibido no período das campanhas eleitorais. O Congresso Nacional aprovou a criação do “fundo partidário” para os partidos fazerem as suas campanhas, mas falta melhorar o que é divulgado nas emissoras de rádio e TV durante o período eleitoral. Isso porque, ao ouvir os candidatos nos sentimos ainda mais perdidos.
Basta fazer um teste parando alguns minutos em frente da TV para ver se é verdade. Nas candidaturas majoritárias à Presidência da República, ao Senado e ao Governo do Estado, não há grandes problemas, já que os temas tratados envolvem as realidades vividas no país e em cada estado brasileiro. Entretanto, quando se olha para as candidaturas legislativas, o modelo atual deixa muito a desejar. Vejam o que encontrei dia desses assistindo ao meio-dia as propostas dos candidatos e candidatas à deputados (as) federais.
Temos que ver e ouvir pessoas que não pertencem a nossa região, no caso ao litoral Norte de Santa de Catarina. Com certeza são pessoas ilibadas, que já prestaram serviço às suas comunidades, mas que para nós são ilustres desconhecidos. Por exemplo: “fui prefeita da cidade X do Meio Oeste, agora quero ser sua representante em Brasília”. Acredito que a maioria de nós nunca visitou a cidade da candidata, que dirá conhece a ex-prefeita. Outros exemplos: “defendo Joinville”, “luto por Chapecó”, “represento o Planalto Norte” e por aí vai.
Nada contra a esses candidatos, mas me parece que estamos perdendo um tempo precioso com essas falas. Acredito que elas não tocam os eleitores do litoral Norte e vice-versa, quando os candidatos daqui aparecem no Oeste ou em qualquer outra região de Santa Catarina. Ou seja, não significam nada para eles também. É um balaio de gatos, para usar uma expressão popular, que chamo de “candidaturas genéricas” – atingem a todos e a ninguém. Aliás, isso me lembra o conceito de Violência Simbólica do sociólogo francês Pierre Boudieu (1930-2002) que dizia que quando ocupamos um espaço para nada dizer, estamos violentando os nossos interlocutores. Em outras palavras, é isso o que ocorre nas candidaturas legislativas, tanto para Câmara Federal como para a Assembleia Legislativa.
Além de não conhecer e, muitas vezes, nem nos identificar com os candidatos, as propostas são genéricas, o que não ajudam em nada o eleitor.
Acompanhe abaixo os temas que mais apareceram:
Na primeira posição está a Saúde com 5 citações. Em seguida, com 3, vem Deus, Família e Santa Catarina. Depois com 2 citações surge a Causa Animal. E com apenas uma citação surgiram os demais assuntos: agro, BR-282, autismo, deficiência, retorno de impostos, democracia, soberania, violência contra as mulheres, a favor da escala 6 x 1 e contra os abusos do STF.
No geral, as propostas são relevantes, atuais e compõem o grande rol de Políticas Públicas que podem ser defendidas no Congresso Nacional. Entretanto, como disse acima, falta “identificação” do eleitor com o candidato. Nesse dia, apareceram dois médicos, com a mesma propos-ta, “vou lutar pela Saúde”. O que vão fazer? Será no SUS? Outro, “deus, família e SC”. O que será feito efetivamente?
Por isso, defendo um voto regional que possa contemplar as diferentes regiões de Santa Catarina. Quer dizer, a região da AMFRI teria um número X de candidaturas, proporcional a sua população.
Assim, os deputados estaduais e os federais eleitos estariam muito mais próximos e comprometidos com o nosso eleitor. Basta ver a questão do ferry-boat, lembro que o deputado Napoleão Bernardes, eleito por Blumenau, veio nos ajudar, já que a empresa que opera há anos o sistema, o fazia sem prestar contas ao cidadão e sequer aceitava cartão de crédito.
O voto regionalizado aumentaria o tempo dos candidatos no horário eleitoral gratuito.
Eles poderiam de fato falar as suas propostas. Pois, as próprias rádios e tevês já operam de forma regional, por isso, seria algo muito fácil de implantar.
Dessa forma, na minha visão, todos ganham.
O país melhora porque a fiscalização aumenta com a presença do político na comunidade e o eleitor fica mais confiante na hora de votar.
Publicado na Revista Sopa de Siri – edição 291 outubro/2026









