Valdemar Sandri

Valdemar Sandri, Ex-Vereador de Itajaí (1973-1977) empresário em Florianópolis, casado com Dalva de Oliveira Sandri, pai de Fabiana, Andréia e Eduardo. Por 30 anos foi sócio da SOAMAR – Sociedade Amigos da Marinha. Valdemar exerceu mandato de Vereador no último exercício sem remuneração, de 1973 a 1977. Trabalhou por amor à cidade e ao povo.

Valdemar Sandri por Valdemar Sandri

                Sou um itajaiense, papa-siri, empresário, marido, pai, avô, bisavô; uma pessoa da paz, observador, sempre conectado e com um apetite voraz por conhecimento.

                Até hoje – proporcionalmente – você é o Vereador mais votado de Itajaí. Nas eleições de 15 de novembro de 1972, obteve 1.419 votos dentre os 21.394 votos válidos.

                É verdade. O culpado disso foi o Seu Nêne Laurentino, que me levou a ser candidato faltando três meses para as eleições. Minha família me apoiou e muitos amigos como o Chico Contezini, o Arthur Pereira, o Vergílio Cadore e, muito especialmente, meu tio Cídio Sandri. E muita gente que agora não lembro, aos quais agradeço de coração e peço perdão pela falha da memória.

                Mesmo sendo o mais votado não quis ser presidente da Câmara?

                Não. Eu não tinha nenhuma experiência, não me senti preparado. O primeiro presidente foi o meu amigo de saudosa memória, Dr. Abraão João Francisco, excelente presidente. Depois, assumiu o professor Ivo Probst.

E o caso do roubo do trator, como foi?

                Eu “roubei” o trator da prefeitura. Eu tive que roubar. O seu Abel tinha um caminhão que carregava toras, um chevrolet. Falei com ele, pedi o caminhão emprestado para eu roubar um trator da prefeitura. Ele falou: Você está louco? Nós vamos todos presos! Respondi que me responsabilizava. Fomos na garagem da prefeitura e botei o trator em cima do caminhão e parti para o Brilhante de Dentro. O Ribeiro Luz foi com o jipe candango. Comprei uma caixa de fogue-tes. Quando entrei com o caminhão com o trator em cima e o Ribeiro Luz com o jipe, soltando foguetes, o povo olhava assustado. Primeira vez que entrava um trator para abrir estrada na localidade.

                Enfim, abri nove estradas pequenas para escoar a produção agrícola. Eu tinha prometido e cumpri.

                Terminou o mandato e não quis continuar na política?

                Não quis. Eu não sou político; eu já era empresário.

                A maioria da minha família é de empresários.

E o que o fez deixar Itajaí e mudar para Florianópolis?

                Enquanto sócio do tio Honorato, em Itajaí, já tínhamos aberto filial em Florianópolis. Decidi vir para Florianópolis após a separação da sociedade. Já havia cumprido o meu mandato de quatro anos, aí eu fiquei com a alma lavada da promessa que eu tinha feito.

                Que promessa?

                Eu sofri um grave acidente. Estava de bicicleta e bati atrás de um caminhão. Fui parar na UTI. Quebrei três costelas e a clavícula. Fiquei 45 dias em estado de coma. Prometi fazer algo de bom para as pessoas. Não sabia como. Então, graças a Deus, quando chegou a oportunidade de ver que um trabalho voluntário iria concluir a minha promessa, eu abracei. Isso também graças ao seu Nêne sapateiro, como era conhecido o Laurentino, que foi o grande mentor, que me apresentou para ser candidato.

                Durante três décadas você foi sócio da SOAMAR – Sociedade Amigos da Marinha.

                Eu sempre tive total respeito pelas Forças Armadas. Foram trinta anos de grandes e inesquecíveis amizades. Amizades que perduram até hoje. Por limitações físicas, com minha saúde debilitada, já não posso mais participar como antes, mas as amizades continuam.

                Você não fala, mas sei que nesse tempo recebeu diversas homenagens, especialmente da Marinha do Brasil, como também da Política Militar de Santa Catarina. Conta pra nós.

                Verdade. Fui agraciado com a Medalha Almirante Tamandaré, Medalha Honra ao Mérito como Oficial Cavaleiro de Marinha, e Comendador da Liga de Defesa Nacional e também da Polícia Militar de Santa Catarina. Conservo com grande prazer amizade com os Almirantes Kircdh e Rocha, que me apelidou de O Conde do Arvoredo.

                Como foi exercer a presidência da Associação Motonáutica de Santa Catarina por dez anos?

                Essas atividades do voluntariado nos dá a agradável sensação de utilidade. O prazer de servir, de dedicar o tempo fora das atividades empresariais para cooperar com a sociedade. Mesmo fora de Itajaí, eu ajudei nas duas grandes enchentes, 83 e 84, levando um grupo de barcos para dar apoio.

                Em Itajaí você também presidiu a L.I.D. Liga Itajaiense de Desportos

                Foi outra boa experiência, poder contribuir com o nosso futebol papa-siri. Boas recor-dações.

                O governo Frederico Olindio de Souza elevou a economia de Itajaí do 9º para o 4º lugar, exatamente no período em que você foi Vereador. A Câmara teve papel importante nessa conquista?

                O fato de o Vereador não ser remunerado não diminuía a vontade de trabalhar pela cida-de. Sem dúvida alguma, a Câmara de Vereadores muito contribuiu com o prefeito Fredy pa-ra essa conquista.

                Estamos no ano 2026. Você mudou para Florianópolis em 1976, passaram-se então 50 anos!

                É isso mesmo. Estamos comemorando Bodas de Ouro. Como o tempo passa rápido. Um detalhe: nas eleições seguintes os Vereadores já eram remunerados. As coisas mudam muito rapidamente também.

                Para finalizar, a sua mensagem aos leitores da Sopa de Siri.

                Mando um caloroso abraço aos meus irmãos peixeiros. Itajaí, hoje, é uma potência no cenário estadual, se projetando Brasil e mundo afora. Parabéns aos itajaienses.

                Muito obrigado

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