É o nome de um Documentário Américo/Brasileiro datado de 1995, dirigido pelo meu chara, o cineasta Murilo Salles. O filme narra os bastidores, entrevistas, curiosidades e os jogos da Copa do Mundo de Futebol de 1994, a qual culminou na grande final, realizada no dia 17 de julho daquele ano, em Pasadena/EUA, onde a Seleção Brasileira, então tri-campeã do mundo, entrava em campo para jogar a final contra a também tri-campeã do mundo, Itália. A partida terminou 0 x 0, e pela primeira vez na história uma copa era decidida nos pênaltis, a qual acabou por consagrar o Brasil o primeiro tetra campeão do mundo.
Então, como desde sempre no Brasil, precipuamente em jogos da seleção brasileira, as pessoas tomavam as ruas eufóricas, comemorando as vitórias, à época frequentes, da “seleção canarinho”, cujo nomes dos jogadores, inclusive, eram de conhecimento popular, do goleiro ao centroavante.
Diante deste quadro, havia um certo consenso, principalmente entre a imprensa e os intelectuais contemporâneos, de que o “brasileiro” era vítima de uma versão não religiosa do “ópio do povo”, visto que enchia as ruas com os êxitos da seleção, e ficava praticamente inerte frente aos mandos e desmandos de governos corruptos que simplesmente se sucediam e se sucedem no poder. O brasileiro era considerado um povo praticamente despolitizado, não afeito a discutir ou conversar sobre política e os problemas inerentes.
Era um quadro triste!… SERÁ? Ou éramos felizes e não sabíamos?
A partir dos anos 2000, junto ao “nascimento” das redes sociais (Orkut, Facebook etc), também um pouco mais tarde, entorno de 2010, dos aplicativos de conversa através de mensagens instantâneas (whatsapp, telegrama etc), ocorreu algum tipo de transformação social, onde as massas estavam se movimentando por motivos políticos e sociais, que alcançaram seu ápice no Brasil, com as manifestações em São Paulo contra o aumento das passagens de ônibus em 2013 e que se espalharam pelo Brasil, e no mundo com a primavera árabe, que eram caracterizadas também por movimentações populares entorno de direitos.
Com essas manifestações que acabaram por abalar as estruturas sociais até então estabelecidas, o solo ficou fértil para o aparecimento de “salvadores da pátria”, os quais se auto-intitulavam “contra o sistema”, mesmo que na maioria dos casos, esses salvadores vinham de inúmeros mandatos públicos, isso quando não eram herdeiros de uma dinastia de políticos, sempre agarrados ao sistema político.
Desta forma, somando-se a “pseudo-politização” do povo, o aparecimento dos “salvadores da pátria”, os “contra-política”, os que estavam a favor daqueles que estavam no poder, criou-se a extrema POLARIZAÇÃO do povo, separando-o entre “azuis e vermelhos” desfazendo amizades, separando famílias, quando não corriqueiramente ocorriam homicídios e tentativas decorrentes de discussões políticas.
Muitos que chegaram na leitura até aqui, podem estar se perguntando: qual a novidade num cenário político hipócrita, onde o candidato eleito precisa obrigatoriamente se curvar ao “sistema”, o qual se repete de eleição em eleição?
Pois há uma grave diferença que vem se instalando e crescendo nos últimos 10 anos, aproximadamente, que é a possibilidade de qualquer pessoa, independentemente da sua formação, que na absoluta maioria das vezes inexiste, ir às redes sociais e expor ao mundo sua “posição jurídica” sobre a situação legais do presidente A ou B.
Dessa mesma possibilidade das pessoas se manifestarem, muitas das vezes sem ter qualquer estudo ou fonte, surge o “direito contrário” de cegamente afirmar que o outro lado está simplesmente errado, ou ainda, surgem manifestações graves, como quando parte da população pediu a volta do regime militar no país, além de outras barbaridades.
É… éramos felizes e não sabíamos!
MURILO ZIPPERER – Advogado e Ex-Presidente da OAB de Itajaí
Revista Sopa de Siri – edição 285 abril/2026 página 34









