Em recentes pesquisas para a mostra sobre escritores de Itajaí, denominada “Literatura é Patrimônio: Vozes da Cidade”, aberta no Museu Histórico de Itajaí até agosto, pesquisadores tiveram alguma dificuldade de identificar, colher dados biográficos e foto-grafia do escritor itajaiense Guedes Júnior.
Esse pseudônimo, com que assinou o soneto “O que não se diz”, no Anuário de Itajaí 1924 – que parece ter sido sua primeira poesia publicada – escondia, no entanto, seu verdadeiro nome: Jau Guedes da Fonseca.
Quem traz a revelação é o Anuário de Itajaí 1949, no artigo “Apontamentos para a história da imprensa em Itajaí”, com certeza de autoria do jornalista e escritor Silveira Júnior.
Jau Guedes da Fonseca nasceu em Itajaí a 20 de agosto de 1898, filho do advogado e Pro-motor Público, João Guedes da Fonseca e Juliana Viana Guedes da Fonseca. Seus estudos começaram na escola primária da cidade e, depois, continuaram em Florianópolis, no Colégio Catarinense, onde se matriculou em 1911. A família para lá havia se mudado. São conhecidos seus três irmãos: Hermes Guedes da Fonseca, João Guedes da Fonse-ca Júnior e Maria (Loló) Guedes da Fonseca.
No ano de 1925, casou-se com Paula Schwartz, quando já atuava como advogado provisio-nado no Fórum de Itajaí. No ano seguinte se vai encontrá-lo como advogado em Canoinhas, onde fundou o jornal “Ouro Verde”; desde quando passara a militar ativamente na imprensa catarinense. Foi redator do jornal “A Notícia”, de Joinville e, quando veio re-sidir em Florianópolis, também relator de jornais da Capital.
Como redator do “Diário Oficial de Santa Catarina” e diretor da Imprensa Oficial do Es-tado, aproximou-se dos líderes políticos catarinenses que apoiavam o governo Getúlio Vargas e foi nomeado secretário do Interventor Federal de Santa Catarina, Nereu Ramos. Não se sabe ao certo como se deu essa aproximação, pois em 1929 ele fizera campanha contra a Aliança Liberal.
Em 1939, recebeu nomeação federal para conselheiro do Departamento Administrativo do Estado de Santa Catarina. Após a queda do regime getulista, em 1946 foi nomeado Secretário de Estado da Fazenda e nesse mesmo ano diretor da Caixa Econômica Federal de Santa Catarina. No cargo, inaugurou em 29 de março de 1959 a agência da Caixa Econômica em Itajaí e veio a falecer em 6 de novembro do mesmo ano.
Dele escreveu na ocasião (revista Leitura, Rio de Janeiro, janeiro de 1960) o escritor e crítico literário catarinense Nereu Corrêa: “Poliglota, inteligência brilhante, orador primoroso, Jau Guedes era também poeta bissexto, tendo deixado vários sonetos, alguns publicados, outros inéditos, em que se revela um verdadeiro artista do verso.”
Édison d´Ávila é historiador, escritor, professor aposentado, ex-secretário de Educação de Itajaí
Revista Sopa de Siri edição 289/agosto 2026 página 34









