Anna Carolina Martins

A Evolução Constante de Anna Carolina Martins: Da

Câmara de Itajaí aos Novos Desafios Estaduais

Por: Redação Sopa de Siri

Em uma conversa franca e descontraída, a vereadora Anna Carolina Martins abre o

jogo sobre sua trajetória política, a influência visceral da família, os desafios de ser

mulher no legislativo e seus planos para levar a voz de Itajaí com mais força para a

Assembleia Legislativa.

Sentar para conversar com Anna Carolina Martins é, antes de tudo, aceitar um

convite ao dinamismo. Advogada por formação e política por vocação, ela carrega

no sobrenome a herança de uma das figuras mais emblemáticas da política local, Jô

Martins, mas faz questão de frisar que sua identidade é uma construção própria, em

constante metamorfose. "Não sou a de ontem, com certeza", afirma logo no início,

definindo-se como alguém que não teme desafios e que entende a política como

uma ferramenta de auxílio ao próximo.

Nesta entrevista exclusiva para a Sopa de Siri, Anna percorre desde as memórias

de infância e a resistência da mãe, Dona Delma, à sua entrada na vida pública, até

a análise madura que faz do atual cenário administrativo de Itajaí. Com três

mandatos na Câmara e uma experiência marcante no Executivo, ela agora mira um

salto maior: a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC).

A Identidade e o Berço Político

Sopa de Siri: Como você se define hoje, depois de tantos anos no olho do

furacão político?

Anna Carolina Martins: Eu me defino como uma pessoa em constante evolução.

Gosto muito de desafios e não tenho medo deles. Já entendo que tenho uma

vocação para ajudar as pessoas, algo que vem de família, de berço, e que a

faculdade de Direito só reforçou. Sinto-me realizada, mas sempre aprendendo. Essa

consciência de estar em processo é o que nos faz crescer.

Sopa de Siri: Muitos veem em você a postura combativa do seu pai, Jô

Martins. O quanto dessa "casca grossa" vem dele e o quanto vem da sua mãe,

Dona Delma?

Anna Carolina: É uma misturinha boa! O pai é mais efusivo, dinâmico. A mãe já é

uma pessoa doce, mas é uma lutadora silenciosa, muito persistente. Geralmente

dizem que sou a cara do meu pai, mas quem conhece minha mãe logo vê as

semelhanças também. Curiosamente, se dependesse da minha mãe, eu estaria

pintando quadros e cuidando de cinco filhos (risos). Ela sofre muito com a exposição

da política, mas, uma vez que decidi ir, ela se tornou meu maior cabo eleitoral.

Sopa de Siri: Ideologicamente, você e seu pai sempre concordam?

Anna Carolina: Nem sempre! O pai é "do contra" por natureza, muito questionador.

Eu acho isso importante. Mas hoje quem exerce o cargo sou eu, então as visões às

vezes divergem. Ele sempre esteve nos bastidores, ama a política, mas eu fui a

única da família a passar pelo crivo do voto. Ele me ajudou muito, mas com o tempo

as pessoas entenderam que eu tenho meu próprio caminho. Não preciso que todos

gostem de mim, mas quero que saibam que sou competente no que faço.

A Trajetória e a Gestão Pública

Sopa de Siri: Você está no seu terceiro mandato como vereadora. Por que a

decisão de concorrer à prefeitura no passado e como foi a experiência no

Executivo?

Anna Carolina: A candidatura à prefeitura foi para aquele momento específico;

Itajaí precisava de uma alternativa com o meu perfil. Mas nunca foi um "sonho de

vida" ser prefeita. Já a experiência no Executivo, à frente da superintendência das

fundações (Cultura, Esporte e Patrimônio), foi maravilhosa. Adorei participar da

gestão direta, especialmente em um momento delicado de transição. Ali vi como a

máquina funciona por dentro.

Sopa de Siri: Como você avalia o momento atual de Itajaí sob a gestão de

Robson Coelho?

Anna Carolina: Itajaí é uma cidade pujante, sempre teve recursos. O que mudou foi

a forma de utilizar. Estou muito feliz com o gás da equipe atual. Ficamos 15 anos

sem construir uma escola, o que é um absurdo. Hoje vejo criatividade para resolver

problemas históricos. O Tarcísio Zanelato (Obras) tem feito um trabalho hercúleo.

Claro que as obras atrapalham o trânsito, eu mesma me atraso (risos), mas é

necessário. Como aceitar que regiões como a Caninana não tivessem esgoto?

Estamos finalmente encarando esses gargalos.

O Futuro e a Representatividade

Sopa de Siri: Você mencionou que agora planeja um "salto mais alto". O que

motiva sua candidatura a Deputada Estadual?

Anna Carolina: Itajaí tem um histórico ruim de representação na ALESC. Faz anos

que não elegemos um ou dois deputados genuinamente nossos. Já tive a

experiência de estar lá por 60 dias e fiz 33 mil votos na última eleição – mais do que

gente que se elegeu por causa do sistema. Ficou algo mal resolvido. Eu quero ser a

primeira mulher deputada eleita saindo com uma votação expressiva de Itajaí.

Nossa cidade precisa dessa voz direta em Florianópolis para buscar recursos e

defender nossos interesses.

Sopa de Siri: Para encerrar, qual a importância de veículos como a Sopa de

Siri nesse processo de resgate da identidade local?

Anna Carolina: Eu valorizo muito quem faz o jornalismo sério e o resgate histórico.

Hoje as pessoas buscam notícias rápidas em redes sociais, que nem sempre são

afetivas ou precisas. Quando pegamos um material impresso, com boas fotos, uma

história bem escrita e que valoriza a nossa gente, temos que dar muito valor. É um

trabalho profissional que mantém viva a alma de Itajaí. Parabéns pelo trabalho de

vocês, que resiste e se renova.

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