Jairo Machado (in memória)
Ó, musa: somente me inspira,
tu a dona desta lira…
Dá ênfase ao estro teu.
- qual seta numa ferida;
estringe da minha vida
e deusa d´um sonho meu.
“Se cri antes na vida,
cria n´alma, inda crida»
- na carne vive a ilusão.
O pecado d´ela nasceu,
em ambos Baco viveu
orgíaco de coração.
Estreia-te na eugenia
que viu Baco na orgia
c´os crimes que cometeu,
- tal verás Vênus perdida,
soluçando pela vida
que o venero ao érebo deu
Após o escóreo bradante
cruzar as rochas distantes
e adormecer na bonança
os etésios rompem as cortinas!
D´entre flores surge Divina
a eterna deusa esperança…
Na catênula segura por elo
estrêmulo ou calmo espero
o tinido do ferro frio
se aberta a suja enfureço
minha musa o destruiu.
Revista Sopa de Siri – edição 290/setembro – página 10









