Inteligência Artificial: solução ou confusão?
Dá medo em pensar sobre algo que ninguém sabe a verdade, quando a busca para desvendar a criação dos humanos e seu destino, envolvem as especulações da “Ciência” e da “Religião”. A Ciência tem produzido fatos diabolizantes sob o ponto de vista da Religião; enquanto que a Religião, em qualquer parte do mundo, não se regozija com as descobertas da Ciência.
Verdade seja dita, Ciência e Religião, ambas nascem do poder da imaginação produzida pelo pensamento do homem. Alguns afirmam ser inventos do pensamento e intervencionismos do livre arbítrio do poder humano; outros alimentam delírios oníricos e míticos, nada havendo com um Deus onisciente, de poder pleno e absoluto, presente na criação do Universo, por todo e sempre.
Estamos entrando na era da Inteligência Artificial, que nada mais é a condição de condensar num centésimo de segundo todo o conhecimento e pensamento humano, à nossa frente, na tela do computador ou de um celular na palma da mão.
Apresenta-nos a informação filtrada no essencial de todo conhecimento atualizado globalmente; proporciona-nos a retomar direcionamentos científicos reais e práticos; romper com abstratos religiosos ou aumentar dúvidas; desviar-se das imensas e numerosas “portas de saídas” do inferno (ambiente sem luz) e caminhar no fusco da luz universal, imaginando uma energia fria e pura, que impele chegar à única porta do paraíso perdido. Coisa que no fundo do coração de todo homem é pulsado e desejado.
Se admitirmos a origem humana no paradisíaco Éden judaico, encontraremos a diferença entre o que Deus fez e o que o homem degenerou.
Nessa imaginária dicotomia literária somos induzidos a rebuscar a perfeição humana e que a perfeição depende somente de o homem alcançá-la, porém, não mais no paraíso original, sem sofrimento.
Nesse contexto, num determinado momento em diante, o homem, por expulsão/punição do paraíso, passa a fazer parte de um ambiente cruel.
A chave da porta do paraíso, se quisermos retornar, que é somente uma porta possível, foi-nos entregue em códigos múltiplos, indecifráveis pela ciência e desdenhada negligentemente pela humanidade, às vezes, inclusive pela religião. Códigos estes organizados em um manual de livros (Bíblia) que supostamente lhe dará conhecimento e livre acesso à “porta de entrada”.
Sem nunca tiver cogitado a ferramenta IA, Michel Foucault, filósofo e historiador francês, já abordou a questão (na obra Vigiar e Punir), deixando-nos a aparente comprovação de que tudo é insuficiente diante do incontido pensamento pessoal. A autonomia do “pensar” pode tudo degenerar ou regenerar. Contudo, há que se ter uma origem e que a conheceremos ou não, mais cedo ou mais tarde. Neste interregno, nós chamamos isso de esperança e desesperança ou fé e descrença ou ateísmo e/ou, ainda hoje, de conscientismo circunstancial do maniqueísmo ascético. Ou simplesmente Razão. Tudo tão antigo e tão presencial!
Muitos pensam e defendem que isso tudo acontecerá aqui na Terra; outros morrem convictos que o universo estelar é o seu paradeiro, isto é, a morada eterna para a sua sobrenaturalidade. Um endereço incompreensível! Isso é crível e incrível, paradoxalmente, até para a IA, neste momento.
Talvez a Teosofia insuflada pelos grandes filósofos e teólogos, e os renomados mestres da antiguidade, cujos muitos dos seus conceitos ainda seguimos, se vivessem hoje e dispondo da IA, nos apresentariam boas respostas, abreviando a revelação da nossa missão na vida sobrenatural?
Uma pergunta cabe sondar: Jesus de Nazaré é a “Porta” a ser tecnologicamente descodificada pela IA, ou ainda virá a ser decodificada misticamente pela liturgia humana?
Recorremo-nos ao que está escrito nos livros sagrados: “Ninguém vem ao Pai, senão por mim” (o Filho de Deus). Note-se, o verbo está no sentido “vem” e não “vai”,dando claramente a situação do tempo do verbo conjugado, isto é, “vem” que estou com o Pai e não “vai” que depois eu vou. Uma ação intrigante, tanto para a Ciência como para a Religião.
É certo que a IA não só produz ilusão, mas tudo pode ser ilusão. Pobre homem…se somente o pó da terra e/ou das estrelas lhe restar! Eis o ponto.
Nelson Abrão de Souza – Cadeira 18 -Academia Itajaiense de Letras
Revista Sopa de Siri – edição 283/fevereiro 2026 página 30









