Cons♱an♱ine
No século do brilho fácil e da vitrine acesa,
o homem mede a alma pelo peso da carteira.
Trocam afetos por cifras,
silêncios por contratos,
e o amor, coitado, virou artigo de prateleira.
Há pressa demais nos olhos,
fome demais nas mãos,
mas um deserto cresce onde antes havia abraço.
Compram ouro para enfeitar o vazio,
vendem a paz em parcelas,
e chamam isso de progresso.
No tempo contemporâneo,
vale mais o que se tem do que o que se é
e o espírito, esquecido, apodrece em luxo.








