PATRIMÔNIO CULTURAL EDIFICADO –IGREJA IMACULADA CONCEIÇÃO

Esta série apresenta o patrimônio cultural edificado de Itajaí. Nesta edição, conheceremos a Igreja Imaculada Conceição, ou popularmente conhecida como Igrejinha Velha.

                As iniciativas para construção da primeira capela do curato de Itajaí deram-se em 1824 por meios dos esforços de Agostinho Alves Ramos e Frei Pedro Antônio Agote. A atual Igreja de Nossa Senhora da Imaculada Conceição é resultado de sucessivos acréscimos e modificações. Em 1855 a capela mor foi coberta, sendo concluída em 1857. A torre, a posterior parte do coro, o átrio e o batistério, foram feitos em 1889. Em 1899 começaram do lado norte as obras de alargamento da igreja matriz, segundo os planos do arquiteto Reinhold Roenick. Em 1904 as obras estavam quase concluídas, não tendo registro exato de quando ficaram prontas. As grossas colunas que hoje vemos no interior são partes remanescentes das paredes laterais. Os vãos abertos pela destruição destas paredes tiveram um acabamento em arcadas amplas. Na década de 1920 houve o aumento da torre, modificando nessa obra um pouco a volumetria da edificação. Além dessa modificação os telhados que cobrem o batistério e acesso a escada também foram modificados. A torre além de ficar mais alta ganhou molduras e ornamentos. A Igreja Imaculada Conceição é construída em alvenaria autoportante de tijolos e suas fundações em pedra, possuindo área construída de 524,42 m². Volumetricamente a edificação é composta por quatro blocos. O primeiro bloco forma a torre sineira, sendo o bloco mais alto e de maior destaque. O bloco seguinte é composto pelos dois corpos que ladeiam a torre sineira e são mais baixos. O terceiro bloco diz respeito à nave. Além de se projetar tem a marcação da entrada lateral da igreja. O último bloco, mais baixo forma a sacristia, consistório e capela mor. Tipicamente eclética, a igreja apresenta características gótica – torre pontiaguda coroada de coruchéu, aberturas em arcos ogivais, bandeiras e janelas rosáceas rendilhadas, pináculos; e neoclássica – simetria, tímpano triangular marcando as entradas laterais, pilastras e cornijas que conferem harmonia ao edifício além dos frisos como decoração. (Descrição por Ferreira, Luciana et al. em Projeto de Restauro da Igreja da Imaculada Conceição. vol. 1).

                Destaca-se no interior da edificação um painel inacabado, pintado pelo artista itajaiense Dide Brandão (1924 – 1976), no qual retrata anjos acima do arco cruzeiro que separa a nave do altar-mor.

                A edificação forma um belo conjunto com a Praça Vidal Ramos que está a sua frente, e aos fundos com o Jardim Bruno Malburg. Todas as suas fachadas possuem recuo. Nas quadras adjacentes, à fachada sul encontra-se o edifício Olympio, no qual possui gabarito similar. Paralelamente nas demais fachadas da igreja, esta divide a atenção com outras edificações, como o Ed. Catarinense (1972), Ed. Zen Tower (2020), imediatamente à fachada norte o Ed. Edifício Bonifácio Schmitt (1960) – atual Hotel Valerim, e um grande novo prédio em construção, o Ed. Downtown.

                A edificação é tombada pelo Decreto Estadual 2.994 25/06/1998 e pelo Decreto Municipal 7.926 de 26/06/2006. Localiza-se junto a Praça Vidal Ramos no centro de Itajaí. A Igreja Imaculada Conceição passou por processo de consolidação estrutural e restauro que foram entregues à comunidade no ano de 2017.

          A edificação é administrada pela Mitra Metropolitana de Florianópolis que mantem programação semanal de missas e celebrações. Além de receber eventos externos como casamentos e eventos culturais.

Autor: Eliezer Patissi

Bacharel em Administração Pública (ESAG/UDESC), Engenheiro Civil, Mestre em Gestão de Políticas Públicas (UNIVALI), Membro do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural e Conselho Municipal de Políticas Culturais.

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