Saulo Beling
Se desenhassem o céu ao meio-dia sem o sol,
ainda assim seria céu,
pois o azul guarda luz mesmo na ausência.
Se desenhassem o céu à meia-noite sem a lua,
ainda assim seria céu,
pois a noite conhece o brilho do silêncio.
Se desenhassem o mar sem areia,
ainda assim seria mar,
porque o infinito não depende da margem.
Se desenhassem a praia sem ondas,
ainda assim seria praia,
pois o repouso também sabe amar.
Se desenhassem uma montanha sem o verde,
ainda assim seria montanha,
porque a grandeza não precisa de adornos.
Mas se tentassem me desenhar sem você,
faltaria o traço essencial,
o sentido, o nome, o fôlego.
Sem você, eu não seria eu.
Te amo —
ontem, hoje
e em tudo o que ainda serei.
Para minha esposa, Rose.








