Exposição “Gambiarras”

Está aberta, na Casa da Cultura Dide Brandão, até o dia 30 de janeiro, a exposição “Gambiarras”, do artista visual Denis Zubieta, formada por uma coletânea de obras interativas que mesclam as artes visuais e a tecnologia. A exposição fica aberta para visitação de segunda a sexta-feira, das 8h às 19h.

“Gambiarras” é uma exposição construída por Zubieta em seus estudos sobre a anti colonialidade, e questiona, através de seus elementos, questões como a valorização das raízes, do território,da ancestralidade e a necessidade de denunciar uma hegemonia cultural. A exposição é composta por esculturas e instalações que mesclam a tecnologia dos sensores, sons e cores, com a tradição de objetos como a cabaça e a cestaria. Com sotaque antropofágico, as esculturas interativas trazem novo significado, por meio do hibridismo em diversas materialidades, tais como: elementos orgânicos, sonoros, mecânicos e eletrônicos- computacionais.

O que torna todo o processo mais interessante é a formação híbrida do artista, que permitiu que ele fosse o responsável por confeccionar cada uma das 5 obras que compõem a mostra. Denis Zubieta é graduado no curso BI (Bacharelado Interdisciplinar) de Artes da Universidade Federal da Bahia UFBA, com área de concentração em Arte e Tecnologias Contemporâneas. Na sua trajetória, teve passagens por diversas empresas de e pesquisas de arte e tecnologia, firmando-se como um pesquisador em caráter transdisciplinar nos domínios da arte, ciência, tecnologia e sociedade com foco nas ideias de interatividade e telemática; linguagens da arte que vão desde produção no campo audiovisual e fotografia até interações com tecnologias contemporâneas e estudos de interatividade para sistemas fechados e para dispositivos móveis com a plataforma Android.

“Ao contemplar a série Gambiarras, os olhos dos espectadores serão surpreendidos por várias camadas interpretativas em justaposição aos detalhes das esculturas e instalações: sons, cores, movimentos, sensores, objetos ancestrais, terra quilombola, cestaria indígena, interatividade com dados da internet apresentados em tempo real, embarcados eletrônicos e um vasto repertório de comunicação com o sentir” comenta a curadora Márcia Albuquerque em seu texto curatorial.

Mais sobre as obras:

Festa Ancestral

Ano: 2025

Técnica: Instalação com técnicas mistas (Apropriação, tecnologias contemporâneas)

Descritivo da obra: A cabaça, presente em diversas culturas indígenas e afro-brasileiras, como Candomblé e Umbanda, servindo como recipiente sagrado, aqui ela traz toques como o tambor de crioula, samba rural e o candombe afro-uruguaio.

Nesta Terra

Ano: 2025

Técnica: Instalação com técnicas mistas (Apropriação, pintura com terra e acrílica, tecnologias contemporâneas)

Descritivo da obra: A partir da pintura em papelão com terra retirada do Quilombo Morro do Boi, utilizada aqui como referência aos anúncios de jornais antigos para venda, compra ou aluguel de pessoas escravizadas, uma espécie de classificado digital que nos mostra um passado não muito distante e que insiste em continuar.

TV Crioula

Ano: 2025

Técnica: Instalação com técnicas mistas (Apropriação, tecnologias contemporâneas)

Descritivo da obra: Vibrante manifestação cultural afro-brasileira do Maranhão, o Tambor de Crioula é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, que celebra a identidade negra e a resistência através de danças circulares femininas com a famosa “umbigada” (punga), cantos e percussão de tambores (rufador, meião e crivador).

Te Protejo

Ano: 2025

Técnica: Instalação com técnicas mistas (Apropriação, tecnologias contemporâneas)

Descritivo da obra: Além de purificar o ar, é símbolo poderoso de proteção, coragem e força, representa fé e resiliência em culturas populares, religiões de matriz africana (Ogum/Iansã). Sua atividade elétrica é capturada na ordem de microvolts e enviada para um site onde uma imagem sofre interferência direta proveniente do estímulo que a planta sofre em seu redor.

Lá na Roça

Ano: 2025

Técnica: Instalação com técnicas mistas (Apropriação, tecnologias contemporâneas)

Descritivo da obra: O milho é um alimento fundamental e sagrado na América do Sul, presente na culinária e cultura indígena há milênios, aqui é ofertado e apresentado em um cesto feito pela etnia indígena Kaigang, um povo originário do Sul e Sudeste do Brasil, que utiliza técnicas tradicionais e materiais como palha e fibra de taquara para criar cestas com belos grafismos, vendidas para gerar renda e preservar sua cultura.

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